Você já ouviu falar em Biologia Construtiva? Diante do cenário de mudanças e transformações no planeta, que impactam diretamente não só o meio ambiente mas também a vida do ser humano, e que têm como consequências crises energéticas e ambientais, surge a possibilidade de enxergar a arquitetura através de uma nova lente. 

Neste artigo falaremos sobre uma arquitetura voltada para nos ajudar a retomar práticas mais saudáveis e restabelecer a conexão com a natureza por meio do uso da ciência e da inteligência. É a arquitetura aliada à geobiologia!

O QUE SABEMOS SOBRE A BIOLOGIA CONSTRUTIVA? 

Pense no seu lugar favorito no planeta. Quais as características dele? Você é capaz de identificá-las?

Eu posso apostar com você que, qualquer que seja o local escolhido, é possível identificar características como níveis de limpeza, segurança, conforto, elementos emocionais e psicológicos. 

Da mesma maneira, você com certeza saberia me dizer lugares em que você não se sente tão bem – que te fazem sentir cansado, incomodado e muitas vezes até doente, como é o caso daqueles que possuem quadros alérgicos, e se encontram em lugares empoeirados, por exemplo.

Nós humanos fazemos parte de um ecossistema, minuciosamente perfeito e organicamente planejado, mas que apesar de orgânico, obedece leis que vão muito além de nossa compreensão. Somos o tempo todo comandados por forças invisíveis, as quais chamaremos aqui nesse artigo de forças da natureza. 

Nesse sentido, é impossível falarmos de Biologia Construtiva sem abordar o conceito de Biofilia. O termo foi criado por Edward Osborne Wilson para designar os seus estudos referentes à conexão dos seres humanos com os ambientes naturais. Ele descreve a Biofilia como a “tendência natural a voltarmos nossa atenção às coisas vivas”.

O fato é que durante nosso longo caminho evolutivo acabamos perdendo essa conexão com o meio natural, o que tem nos causado uma série de patologias e distúrbios genéticos, sociais e emocionais. Isso por que o corpo humano possui uma mecânica precisa, que está intimamente ligada com o funcionamento do nosso planeta. Pense comigo: se somos fruto do nosso meio, e nossa maneira de viver está se distanciando do natural, nada mais lógico que revermos o que estamos fazendo, certo? 

Essa mudança deve começar com os locais que vivemos, trabalhamos e frequentamos, e é exatamente disso que se trata a biologia construtiva: resgatar essa conexão com a natureza, por meio de uma ótica diferente dentro da arquitetura tradicional. 

UMA ÓTICA DIFERENTE

Desde 1982, a OMS  (Organização Mundial da Saúde) reconhece e valida a Síndrome dos Edifícios Doentes. Uma construção leva essa designação quando ela age como agente causador ou agravador de doenças nas pessoas que frequentam ou residem naquele local. O termo foi atribuído a essas moléstias após a comprovação de 34 mortes e a constatação de 182 casos de contágio por conta de uma bactéria mortal encontrada no ar dentro de um hotel na Filadélfia. 

Por mais impressionante que seja, podemos citar diversos casos similares perto de você que já foram comprovados, sem falar naqueles que ainda não foram detectados, e passam despercebidos. Sua a casa ou escritório, tudo que toca seu corpo influencia e interage na sua saúde e bem estar. 

Fomos projetados para viver na natureza, e isso significa que precisamos da luz do sol, de ar puro, de um ambiente livre de poluentes, e que tenha bactérias, fungos e vírus em equilíbrio, por exemplo. E nossas construções devem possuir essas características embutidas em suas paredes e decoração.

Com base nessa premissa voltada 100% para o ser humano e a alta performance dos ambientes, lhes apresentarei uma série de dicas sobre a biologia construtiva e as soluções que ela apresenta para obtermos uma melhor qualidade de vida, mais produtividade e saúde através dos espaços em que vivemos. 

Vocês vão ficar impressionados com algumas armadilhas que criamos para nós mesmo e a diferença que ajustes podem trazer pro seu bem-estar!

Hoje a minha proposta é somente estimular um raciocínio: observe os ambientes que você circula, e a forma que você se sente neles. Perceba e observe: será que eles estão de acordo com o ideal? 

Até a próxima,

Adrielly Barron
Arquiteta, Urbanista e Geobiológa,
Consultora de Feng Shui