O preço final de uma obra deve ser satisfatório para o cliente, adequado à execução do projeto e lucrativo para o arquiteto. A análise não é simples, pois é necessário considerar, além da sua margem de ganho, custos diretos e indiretos. Por isso é tão importante usar o cálculo do BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) na elaboração dos orçamentos.

Custos indiretos, quando desconsiderados na precificação, podem levar a erros e comprometer sua margem de ganho. Por isso, ajustar esses valores é importante não só para melhorar suas receitas, mas também para garantir análises precisas, seja sobre a saúde financeira do seu negócio ou sobre os orçamentos que você frequentemente elabora.

Acompanhe, neste artigo, como corrigir essa defasagem e aprenda a fazer o cálculo do BDI! Vamos lá? 

O que é BDI?

BDI é um componente orçamentário necessário para a precificação de serviços em construção civil. Os benefícios e despesas indiretas estão vinculados às finanças do arquiteto, escritório ou empresa que está realizando o projeto. Os elementos utilizados no cálculo do BDI são: 

  • administração central (AC);
  • custo financeiro (CF);
  • seguros (S);
  • garantias (G);
  • margem de incerteza (MI);
  • tributos municipais (TM);
  • tributos estaduais (TE);
  • tributos federais (TF);
  • margem bruta de contribuição (MBC).

Cada um desses itens compõe o BDI, que deve ser adicionado ao custo direto da obra para chegar ao preço final. Ou seja, quando um orçamento é elaborado sem considerar os benefícios e despesas indiretas, somente uma parte do custo total está sendo definido.

A quantia desconsiderada, no entanto, continua presente e impactando no orçamento total — só que quem paga esse custo não é o cliente, e sim o arquiteto.  

Quais são os custos avaliados no cálculo do BDI?

No total, nove elementos precisam ser averiguados para fazer o cálculo do BDI. Conheça-os:

1. Administração central

As despesas com o apoio técnico e administrativo aparecem no cálculo do BDI como taxa de rateio da administração central. Corresponde, portanto, a valores pagos com a estrutura administrativa, comunicação, recursos humanos, aluguéis, suprimentos, entre outros.

A taxa média de rateio varia de acordo com o tamanho da empresa e, em média, vai de 8% para as grandes organizações, chegando até 20% nas de pequeno porte.

2. Custo financeiro

O custo financeiro deve ser compreendido como a defasagem de remuneração do capital de giro. Do momento em que é feito o investimento até a obtenção da receita, há uma lacuna de tempo em que o recurso aplicado no projeto deixa de ser rentabilizado.

Por isso, é preciso considerar quanto o capital renderia se estivesse aplicado no mercado financeiro. Um parâmetro que pode ser adotado é o rendimento do CDB (Certificado de Depósitos Bancários) para o período. 

3. Seguros

Considera-se o percentual que deve ser reservado, do montante total da obra, para cobrir despesas com seguros. Estudos indicam um percentual de 0,6% para cobertura básica.

4. Garantias

As garantias são as taxas relativas ao cumprimento do contrato. O percentual vai depender do que está estabelecido no acordo como necessário para cobrir caução, seguro garantia, fiança bancária ou títulos da dívida pública. 

5. Margem de incerteza (ou riscos)

Margem de incerteza também aparece como riscos ou imprevistos. É o percentual que deve ser reservado para arcar com custos e situações não cobertos por seguros, como perda de eficiência de mão de obra, prejuízos com material, retrabalho, fenômenos naturais, entre outros.

6. Tributos Municipais

Relativo ao percentual pago em tributos municipais, como o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).

7. Tributos Estaduais

Relativo ao percentual pago em tributos estaduais, como o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), quando for o caso.

8. Tributos Federais

Relativo ao percentual pago em tributos federais, como contribuições para os Programas de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social
(Cofins).

Segundo alguns autores, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro das pessoas jurídicas (CSSL) não devem ser considerados, pois estão vinculados ao lucro obtido pela empresa como um todo.

9. Margem Bruta de Contribuição (ou Lucro Bruto Previsto)

É a margem de lucro prevista para o projeto.

Como é feito o cálculo do BDI?

Para calcular o BDI é necessário executar o seguinte cálculo:

BDI = (1 + (AC + MI + S + G)) (1 + CF) (1 + MBC) – 1
 1 – (TM + TE + TF)

Observe que todos os elementos apresentados anteriormente entram aqui. Agora, veja uma tabela de valores hipotética e, na sequência, o cálculo:

Item

Percentual (%)

Administração central

3,00%

Custo financeiro

1,23%

Seguro

0,6%

Garantias

0,20%

Margem de Incerteza

1,27%

Tributos municipais (ISS)

3,00%

Tributos estaduais

Tributos federais (PIS e Cofins)

3,65%

Margem de Contribuição

7,40%

 

BDI = (1 + (3 + 1,27 + 0,6 + 0,2)) (1 + 1,23) (1 + 7,4) – 1
    1 – (3 + 0 + 3,65)

BDI = 22,37%

Como aplicar o BDI ao preço final?

O percentual do BDI obtido deve ser adicionado aos custos diretos para que, assim, seja possível calcular o preço real da obra.

PV = CD (1 + %BDI)

Sendo:

PV: Preço de Venda

CD: Custos Diretos

BDI: Benefícios e Despesas Indiretas

Qual é a melhor forma para automatizar o cálculo do BDI?

O grande desafio enfrentado pelos arquitetos é controlar todas as variáveis que englobam o cálculo do BDI para poder considerá-lo na precificação da obra. É necessário avaliar todas as despesas administrativas que, evidentemente, devem ser acompanhadas de forma rotineira, considerando os gastos com a estrutura do escritório, pessoal, publicidade, entre outros.

Além disso, o arquiteto precisa ter uma compreensão do seu fluxo de caixa para determinar seu capital de giro, calcular a lucratividade necessária para o seu negócio e prazos de entrega e recebimento de valores. Tudo isso vai ser indispensável na formulação do lucro bruto e do custo financeiro. 

Há, ainda, a dificuldade de explicar ao cliente o valor do projeto. Para transmitir credibilidade é necessário expor essas informações, que são complexas, justificando-as com dados consistentes quanto aos custos envolvidos. 

Em resumo, o controle rigoroso é fundamental para chegar ao cálculo do BDI. A solução para sanar essa dificuldade é investir em tecnologia para o gerenciamento de obras. A utilização de softwares específicos para arquitetos favorece todas essas etapas e ainda permite uma melhor interação com o cliente.

Isso porque essas ferramentas incluem mecanismos de inserção e controle de dados realizados por meio de uma interface intuitiva, de fácil manuseio. Quanto aos clientes, existem recursos que permitem um acompanhamento de maneira também simples e ágil. 

O cálculo do BDI é uma etapa importante na precificação da obra. Ele garante que o valor será adequado para suprir todas as despesas indiretas, tornando seu resultado financeiro mais eficiente.

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