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Fluxo de caixa para autônomos: aprenda como fazer!

7 minutos para ler

A gestão financeira, um dos principais desafios dos empreendedores brasileiros, pode conduzir uma empresa tanto para o sucesso quanto para o fracasso. Por mais que o volume de contratos esteja em alta e a execução de projetos seja impecável, sem um controle cauteloso do orçamento, tudo isso pode perder o sentido.

Uma maneira de organizar melhor as finanças, de forma simples, mas eficiente, é o fluxo de caixa para autônomos. Você mesma pode montar o seu e começar, desde já, a equilibrar receitas e despesas para ter uma previsibilidade maior dos seus ganhos. 

Entenda que contas pessoais e profissionais não se misturam

É muito difícil para um profissional autônomo distinguir entre o dinheiro particular daquele que está sendo usado para viabilizar projetos profissionais. Esse é um problema que aflige até gestores de micro e pequenas empresas, portanto, é compreensível que o trabalhador independente também passe por essa situação.

Nem sempre essa questão é vista como um problema. Afinal de contas, o dinheiro que está ingressando é seu mesmo, não é? Não é bem assim. Misturar as duas esferas — particular e empresarial — no mesmo controle financeiro pode dificultar a percepção que você tem sobre as finanças, tanto a pessoal quanto a que deve ser aplicada no negócio.

Se há um problema financeiro, ele decorre dos seus gastos pessoais ou da baixa movimentação do caixa? Ou, ainda, é efeito de gastos exagerados ou imprevistos da empresa? Tenha em mente que o valor que você está recebendo pelos trabalhos executados deve ser compatível com o que foi programado e precisa servir para manter a sustentabilidade empresarial.

Há, ainda, outras implicações possíveis e desagradáveis relacionadas a esse hábito, como a dificuldade da análise financeira no momento de fazer as declarações do imposto de renda ou para outros fins contábeis. Além disso, essa prática pode levá-la a viver entre altos e baixos.

Em meses de maior rentabilidade, você pode usufruir mais do que outros. Da mesma forma, quando os negócios perdem o ritmo, sua situação financeira particular pode ser afetada. 

Para fazer a distinção das contas, defina qual será o seu pró-labore. Estipule um valor que seja suficiente para bancar seu padrão de vida.

Esse é um momento que requer equilíbrio, pois a ideia é que você não tenha que colocar dinheiro do seu bolso no negócio. O contrário também é válido: a receita do empreendimento não deve servir para socorrer suas finanças particulares.

Faça uma reserva mensal

Ficou claro que o descontrole das finanças, muitas vezes, ocorre pelos imprevistos. É daí que vem a tentação de tirar dinheiro da empresa ou de aportar recursos nela, hábito que deve ser o primeiro a ser corrigido. 

Justamente para facilitar esse passo é que você deve começar a fazer reservas mensais de recursos. Isso ajudará a manter o controle no orçamento e tornará a gestão financeira menos turbulenta.

Aqui, temos um hábito que precisa ser incorporado. Defina um percentual a ser reservado e mantenha esse compromisso mês a mês. Assim, você já sabe que tem um percentual a ser retirado como pró-labore e outro como reserva financeira. Não são quantias fixas, mas o montante sobre o todo deve ser respeitado.

Com o passar do tempo, será fácil perceber a reserva crescendo. Mas não deixe esse dinheiro parado. Ele pode e deve ser rentabilizado. A escolha do investimento, no entanto, precisa ser avaliada de acordo com três critérios: remuneração diária, rentabilidade superior à da poupança e liquidez.

O mercado tem opções interessantes. Uma delas é o Fundo DI, atrelado ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Outra é representada pelos títulos do Tesouro Direto. Tanto uma quanto a outra oferecem um retorno melhor do que deixar o dinheiro parado ou na poupança. Além disso, você pode resgatar os valores quando for preciso. Antes de escolher onde investir, verifique quais são as condições e os juros pagos, além das possíveis taxas de administração.

Trabalhe com orçamentos precisos

Se controlar o orçamento já é um desafio enorme para qualquer pessoa, imagine para o profissional da construção civil, que lida com ele a cada novo projeto. O fluxo de caixa para autônomos, nesse caso, depende muito do controle financeiro dessas operações.

Faça orçamentos precisos e individuais para cada trabalho em execução. Assim, é possível ter uma noção melhor dos custos, controlá-los e assegurar que o cliente esteja bem informado sobre os gastos dos projeto. 

Havendo cuidado e atenção nessa etapa, as chances de que você se depare com distorções no seu fluxo de caixa são menores. Note que, sem o devido controle, há o risco de que, em algum momento, os valores se confundam e contaminem as finanças — as suas, as da empresa ou as dos projetos.

Para não falhar, faça um planejamento estratégico com antecedência, levando em consideração as necessidades do seu clientes, todos os custos envolvidos e os prazos de cada etapa.

Priorize a pontualidade no pagamento de fornecedores e mão de obra, que são despesas importantes e dependem da programação prevista no orçamento. Não deixe de fazer registros diários do andamento das obras, inclusive da movimentação financeira.

Compreenda como elaborar um fluxo de caixa para autônomos

Basicamente, o balanço financeiro considera, de um lado, as receitas e, de outro, as despesas. O objetivo é possibilitar a visualização rápida da situação financeira da empresa e permitir a previsibilidade do orçamento. 

A ferramenta mais comum utilizada para montar esse tipo de planilha é o Excel, que, embora não seja um recurso complexo, requer conhecimento de como aplicar as principais operações matemáticas (como soma e subtração). Há a possibilidade de buscar aplicativos que permitem aos usuários registrar e calcular as contas a pagar e a receber.

Independentemente da ferramenta que você usará, tenha em mente, desde o princípio, que ela precisa estar alinhada à sua área de atuação. Esse é um ponto importante porque empreendedores de diferentes ramos têm perfis distintos de despesas e receitas.

Profissionais da construção civil, por exemplo, lidam com orçamentos específicos para cada projeto. Isso tem que ser considerado na hora de montar seu fluxo de caixa.

O resultado financeiro de cada obra vai entrar como receita individual? Então, na sua planilha, é preciso prever vários ingressos de recursos, que deverão ser somados para apresentar o valor total do faturamento. O mesmo padrão vale para as despesas.

Há, ainda, gastos que compõem o todo da empresa, como tributos e outros encargos, bem como o seu pró-labore e a reserva para imprevistos.

Com esses cuidados, você já consegue testar modelos de fluxo de caixa para autônomos que mais se ajustem às suas necessidades. Quer mais dicas como essas? Assine a nossa newsletter e fique por dentro dos próximos conteúdos!

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2 thoughts on “Fluxo de caixa para autônomos: aprenda como fazer!

  1. Eu sempre tenho dificuldade em não misturar as contas profissionais e pessoais, por falta de hábito mesmo (e também pelas milhas no cartão de crédito). Confesso que tem me prejudicado no controle do fluxo de caixa. Vou ficar mais atento! Excelentes dicas! Obrigado.

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