A gestão financeira, um dos principais desafios dos empreendedores brasileiros, pode conduzir uma empresa tanto para o sucesso quanto para o fracasso. Por mais que o volume de contratos esteja em alta e a execução de projetos seja impecável, sem um controle cauteloso do orçamento, tudo isso pode perder o sentido.

Uma maneira de organizar melhor as finanças, de forma simples, mas eficiente, é o fluxo de caixa para autônomos. Você mesma pode montar o seu e começar, desde já, a equilibrar receitas e despesas para ter uma previsibilidade maior dos seus ganhos. 

Entenda que contas pessoais e profissionais não se misturam

É muito difícil para um profissional autônomo distinguir entre o dinheiro particular daquele que está sendo usado para viabilizar projetos profissionais. Esse é um problema que aflige até gestores de micro e pequenas empresas, portanto, é compreensível que o trabalhador independente também passe por essa situação.

Nem sempre essa questão é vista como um problema. Afinal de contas, o dinheiro que está ingressando é seu mesmo, não é? Não é bem assim. Misturar as duas esferas — particular e empresarial — no mesmo controle financeiro pode dificultar a percepção que você tem sobre as finanças, tanto a pessoal quanto a que deve ser aplicada no negócio.

Se há um problema financeiro, ele decorre dos seus gastos pessoais ou da baixa movimentação do caixa? Ou, ainda, é efeito de gastos exagerados ou imprevistos da empresa? Tenha em mente que o valor que você está recebendo pelos trabalhos executados deve ser compatível com o que foi programado e precisa servir para manter a sustentabilidade empresarial.

Há, ainda, outras implicações possíveis e desagradáveis relacionadas a esse hábito, como a dificuldade da análise financeira no momento de fazer as declarações do imposto de renda ou para outros fins contábeis. Além disso, essa prática pode levá-la a viver entre altos e baixos.

Em meses de maior rentabilidade, você pode usufruir mais do que outros. Da mesma forma, quando os negócios perdem o ritmo, sua situação financeira particular pode ser afetada. 

Para fazer a distinção das contas, defina qual será o seu pró-labore. Estipule um valor que seja suficiente para bancar seu padrão de vida.

Esse é um momento que requer equilíbrio, pois a ideia é que você não tenha que colocar dinheiro do seu bolso no negócio. O contrário também é válido: a receita do empreendimento não deve servir para socorrer suas finanças particulares.

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Faça uma reserva mensal

Ficou claro que o descontrole das finanças, muitas vezes, ocorre pelos imprevistos. É daí que vem a tentação de tirar dinheiro da empresa ou de aportar recursos nela, hábito que deve ser o primeiro a ser corrigido. 

Justamente para facilitar esse passo é que você deve começar a fazer reservas mensais de recursos. Isso ajudará a manter o controle no orçamento e tornará a gestão financeira menos turbulenta.

Aqui, temos um hábito que precisa ser incorporado. Defina um percentual a ser reservado e mantenha esse compromisso mês a mês. Assim, você já sabe que tem um percentual a ser retirado como pró-labore e outro como reserva financeira. Não são quantias fixas, mas o montante sobre o todo deve ser respeitado.

Com o passar do tempo, será fácil perceber a reserva crescendo. Mas não deixe esse dinheiro parado. Ele pode e deve ser rentabilizado. A escolha do investimento, no entanto, precisa ser avaliada de acordo com três critérios: remuneração diária, rentabilidade superior à da poupança e liquidez.

O mercado tem opções interessantes. Uma delas é o Fundo DI, atrelado ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Outra é representada pelos títulos do Tesouro Direto. Tanto uma quanto a outra oferecem um retorno melhor do que deixar o dinheiro parado ou na poupança. Além disso, você pode resgatar os valores quando for preciso. Antes de escolher onde investir, verifique quais são as condições e os juros pagos, além das possíveis taxas de administração.

Trabalhe com orçamentos precisos

Se controlar o orçamento já é um desafio enorme para qualquer pessoa, imagine para o profissional da construção civil, que lida com ele a cada novo projeto. O fluxo de caixa para autônomos, nesse caso, depende muito do controle financeiro dessas operações.

Faça orçamentos precisos e individuais para cada trabalho em execução. Assim, é possível ter uma noção melhor dos custos, controlá-los e assegurar que o cliente esteja bem informado sobre os gastos dos projeto. 

Havendo cuidado e atenção nessa etapa, as chances de que você se depare com distorções no seu fluxo de caixa são menores. Note que, sem o devido controle, há o risco de que, em algum momento, os valores se confundam e contaminem as finanças — as suas, as da empresa ou as dos projetos.

Para não falhar, faça um planejamento estratégico com antecedência, levando em consideração as necessidades do seu clientes, todos os custos envolvidos e os prazos de cada etapa.

Priorize a pontualidade no pagamento de fornecedores e mão de obra, que são despesas importantes e dependem da programação prevista no orçamento. Não deixe de fazer registros diários do andamento das obras, inclusive da movimentação financeira.

Compreenda como elaborar um fluxo de caixa para autônomos

Basicamente, o balanço financeiro considera, de um lado, as receitas e, de outro, as despesas. O objetivo é possibilitar a visualização rápida da situação financeira da empresa e permitir a previsibilidade do orçamento. 

A ferramenta mais comum utilizada para montar esse tipo de planilha é o Excel, que, embora não seja um recurso complexo, requer conhecimento de como aplicar as principais operações matemáticas (como soma e subtração). Há a possibilidade de buscar aplicativos que permitem aos usuários registrar e calcular as contas a pagar e a receber.

Independentemente da ferramenta que você usará, tenha em mente, desde o princípio, que ela precisa estar alinhada à sua área de atuação. Esse é um ponto importante porque empreendedores de diferentes ramos têm perfis distintos de despesas e receitas.

Profissionais da construção civil, por exemplo, lidam com orçamentos específicos para cada projeto. Isso tem que ser considerado na hora de montar seu fluxo de caixa.

O resultado financeiro de cada obra vai entrar como receita individual? Então, na sua planilha, é preciso prever vários ingressos de recursos, que deverão ser somados para apresentar o valor total do faturamento. O mesmo padrão vale para as despesas.

Há, ainda, gastos que compõem o todo da empresa, como tributos e outros encargos, bem como o seu pró-labore e a reserva para imprevistos.

Com esses cuidados, você já consegue testar modelos de fluxo de caixa para autônomos que mais se ajustem às suas necessidades. Quer mais dicas como essas? Assine a nossa newsletter e fique por dentro dos próximos conteúdos!