O futuro da construção civil no Brasil já se desenha no horizonte: gestão de projetos mais qualificada, tecnologia adotada em todas as etapas, atualização profissional constante e atenção cada vez maior com a responsabilidade social. Neste último aspecto, entra a sustentabilidade ambiental, que já é uma imposição de mercado, seja pelo apelo entre os clientes ou pelas regras mais rigorosas de fiscalização e aprovação. 

Engana-se quem pensa que basta apresentar soluções sustentáveis para o cotidiano dos clientes para garantir uma construção com menos impacto ambiental. Chegar a esse nível exige atenção desde a escolha dos insumos até a execução dos projetos. Por isso, conhecer mais sobre a vida útil de materiais de obra é imprescindível. Neste artigo, vamos apresentar tudo o que você precisa saber sobre esse assunto. Confira!  

Por que a vida útil dos materiais de construção é importante?

A execução de uma obra exige do arquiteto o desenvolvimento de um projeto a partir da escolha dos melhores materiais de acordo com o ambiente ao qual estarão expostos. Esse é um dos primeiros requisitos do planejamento, até porque o resultado final pode ser comprometido caso essa questão não seja observada.

E é aí que deve entrar, também, a preocupação com a durabilidade dos insumos utilizados. Materiais duráveis trazem uma série de outros benefícios à obra. Destacamos os principais:

  • exigem menos substituições ou recuperações;
  • oferecem melhor custo-benefício no longo prazo;
  • aprimoram a qualidade da construção como um todo;
  • estão alinhados às boas práticas de sustentabilidade;
  • proporcionam maior segurança.

A durabilidade, evidentemente, está condicionada a uma série de fatores, como exposição ambiental, instalação adequada e usabilidade. Ainda assim, é possível observar parâmetros que garantirão que mesmo sob essas e outras condições a vida útil dos materiais de obra seja maior. 

Como o foco é entregar uma edificação sustentável, segura e adequada às necessidades dos usuários, é preciso observar todo o conjunto. Porém, o resultado final dependerá da escolha de processos e materiais atrelados a cada etapa da construção.

Ou seja, além de optar pelos insumos mais duráveis e com qualidade superior, o arquiteto precisa avaliar a integração entre os vários componentes e áreas do projeto. O uso de materiais inadequados está entre os erros que nenhum arquiteto deve cometer

Por que desenvolver um projeto sustentável do início ao fim?

Não se pode abordar a vida útil de materiais de obra sem falar em sustentabilidade. Os insumos influenciam diretamente no impacto ambiental de uma construção, seja na sua incorporação ao projeto, na usabilidade no dia a dia ou no descarte. A durabilidade, portanto, precisa ser avaliada considerando todos esses pontos.

O impacto ambiental por si só já justifica o cuidado com a sustentabilidade do projeto como um todo e com a escolha dos materiais de obra especificamente. Mas há outros fatores envolvidos e eles estão diretamente ligados ao seu sucesso profissional. Isso reforça a importância de aprimorar a gestão das obras para garantir que todas as etapas serão cumpridas com excelência, inclusive a verificação da vida útil de materiais de obra.

No mercado atual, a exigência de que as construções observem as boas práticas de sustentabilidade é crescente. Além de haver clientes que priorizam a responsabilidade socioambiental, ela está condicionada também à concessão de financiamentos e à execução de obras públicas.

É nesse contexto que surgiram os selos de sustentabilidade, estabelecendo parâmetros de avaliação para certificar que uma construção pode ser, de fato, considerada sustentável. E os principais deles avaliam, também, os materiais utilizados na obra. 

O Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) é um bom exemplo. Essa é uma das certificações de maior prestígio internacional. Entre uma série de critérios, o LEED avalia os materiais e recursos da construção. 

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Qual o tempo médio de duração de materiais de construção?

A Norma ABNT NBR 15.575, de 2013, descreve a vida útil como o “período de tempo em que um edifício e/ou seus sistemas, elementos e componentes se prestam às atividades para as quais foram projetados e construídos”. O que a norma de desempenho considera, nesse aspecto, são:

  1. o atendimento dos níveis de desempenho previstos na NBR 15.575;
  2. a periodicidade e a correta execução dos processos de manutenção especificados no respectivo Manual de Uso, Operação e Manutenção.  

No Guia para Arquitetos na aplicação da Norma de Desempenho, desenvolvido pela Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), são detalhados parâmetros e tempo de vida útil mínimo para uma série de componentes das edificações. 

A vida útil dos sistemas e elementos construtivos é dividida em três classificações:

Categoria Descrição Vida útil Exemplos típicos
1 Substituível Vida útil mais curta que o edifício, sendo sua substituição fácil e prevista na etapa de projeto. Muitos revestimentos de pisos, louças e metais sanitários
2 Manutenível São duráveis, porém necessitam de manutenção periódica e são passíveis de substituição ao longo da vida útil do edifício. Revestimentos de fachadas e janelas
3 Não manutenível Devem ter a mesma vida útil do edifício por não possibilitarem manutenção. Fundação e muitos elementos estruturais

Fonte: Norma ABNT NBR 15.575-1/AsBEA

Confira a vida útil de alguns dos principais materiais construtivos segundo a Norma:

Material Vida útil (mínima)
Revestimento de fachada aderido e não aderido 20 anos
Piso externo 13 anos
Vedação externa 40 anos
Estrutura principal 50 anos
Estruturas auxiliares 20 anos

Como escolher materiais de construção?

Assim como o seu projeto precisa seguir as normas de desempenho estabelecidas pela ABNT, os materiais de construção também devem ser adquiridos observando especificações técnicas. São elas que asseguram que determinado insumo terá a durabilidade adequada às exigências.

Esse é um ponto importante, porque a escolha errada dos componentes pode inviabilizar completamente a adequação da sua obra ao padrão. Além de observar especificações técnicas apresentadas pelos fabricantes, é possível verificar as normas da ABNT para cada tipo de insumo. 

Há, ainda, alguns critérios fundamentais que englobam a escolha dos componentes e que foram estabelecidos pelo Comitê de Materiais do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável. Confira, em resumo, o que você precisa observar ao pesquisar e orçar materiais para o projeto da obra:

  • selecione fornecedores que trabalhem formalmente e que invistam em ecoeficiência e responsabilidade social;
  • verifique os relatórios de sustentabilidade das empresas fornecedoras;
  • observe se os materiais estão em conformidade com o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H) e com os Programas Setoriais da Qualidade (PSQs);
  • confirme a legalidade da origem dos materiais, sobretudo a madeira;
  • leve em consideração a segurança e saúde de usuários e trabalhadores;
  • priorize empresas certificadas com o ISO 14.000, que tem como um dos critérios estabelecidos a análise do ciclo de vida das matérias-primas.

Planejar e gerenciar projetos do começo ao fim é um processo complexo, mas sabendo um pouco mais sobre a vida útil de materiais de obra você conquistará melhores resultados. Outra forma de aprimorar a gestão do seu negócio é adotar softwares que facilitem seus processos. Por isso, teste gratuitamente o Veja Obra e confira os benefícios que você pode obter.